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NESTA QUARTA-FEIRA (13)

Show de Chico César encerra programação do dia das Vozes da Democracia na 26ª Feira Pan-Amazônica do Livro

Artista paraibano se apresenta hoje, às 20h, no Hangar Centro de Convenções. Confira a entrevista do músico.

Por Governo do Pará (SECOM)
13/09/2023 09h44

O cantor e compositor Chico César será um dos grandes destaques na 26ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, nesta quarta-feira (13), dia dedicado às Vozes da Democracia. A programação da Feira começará às 9h30 com uma série de apresentações artísticas, bate-papo e debates. O show do artista paraibano, também conhecido por seu engajamento político, será às 20h, com repertório que inclui canções que refletem a temática do dia.

Com uma longa carreira, que teve início em 1995 com o seu primeiro álbum, “Aos Vivos”, Chico César alcançou reconhecimento internacional com inúmeros sucessos da música popular brasileira. Em entrevista, ele conta sobre a relação de amizade que tem com vários artistas paraenses, como se sente acolhido pela cidade e sobre o respeito que tem pela música do Pará. Confira!

1. Você se orgulha de alguma conquista? 
Eu me orgulho de ter sobrevivido à pandemia da Covid e de ter produzido bastante durante esse período; de ter feito bastante músicas, composições novas; de ter dado vídeoaulas das canções do meu primeiro disco; de ter feito várias lives; de ter, de certo modo, gravado dois discos durante a pandemia, um no Uruguai, com amigos argentinos que conheci lá e que estavam também recolhidos durante a pandemia no Uruguai; de ter gravado um disco que ainda vai sair. E de ter gravado o disco ‘Vestido de Amor’, na França, já no finalzinho da pandemia.

2. Que artista é uma referência pra você?
Um artista que é referência pra mim é Pinduca. Um grande artista amazônida, negro do Norte, que levou, para o Brasil inteiro e para o mundo, algo que antes era visto apenas como regional. Pinduca é tão importante quanto Pena Branca e Xavantinho, Teixeirinha, Luiz Gonzaga, Tonico e Tinoco. São esses artistas que mostraram aspectos que pareciam ser regionais, e que, na verdade, são elementos da cultura nacional.

3. Ao longo de toda sua carreira você fez parcerias com diversos artistas, inclusive no álbum “Violivoz”, lançado este ano, com Geraldo Azevedo. Como foi trabalhar com ele nesse projeto e qual a importância de colaborar com outros artistas?
Trabalhar com outros artistas é sempre um aprendizado, e aprender é sempre muito importante. E trabalhar com Geraldo Azevedo tem sido uma alegria imensa, que começa desde antes da pandemia, mas finalmente, só conseguimos trazer o show depois da pandemia, e conseguimos gravar esse audiovisual, compor músicas novas. Tem sido um prazer imenso pra mim trabalhar com o Geraldo.

4. Já em 2019 você assina todas as faixas do álbum “O Amor É um Ato Revolucionário”. Como foi o processo de criação desse trabalho?
Na verdade, eu não lembro muito de como foi o processo do meu álbum “O [Amor É um Ato] revolucionário" porque já faz muito tempo, mas nunca componho exatamente para um disco. Eu sempre componho o tempo inteiro e quando chego no momento em que quero fazer um disco, escolho as canções que acho que dizem o que eu quero dizer naquele momento e elas, juntas, vão dizer melhor. E eu ensaiei bastante com a minha banda na minha casa, no meu estúdio caseiro e depois nós fomos pra um estúdio fazenda, a Gargolândia, no interior de São Paulo e lá, em torno de duas semanas, nós gravamos o disco inteiro porque já estava tudo na ponta dos dedos, já tínhamos bastante intimidade com aquele repertório. Então, muitas coisas nós gravamos ao vivo para depois fazer as coberturas. Um jeito muito bom de fazer um disco. 

5. Você é muito ativo politicamente, não à toa foi convidado para o dia das Vozes da Democracia. O que você entende como democracia e qual a importância de manifestar seus ideais políticos? 
Desde criança eu entendo que democracia é o governo do povo, para o povo e pelo povo. Acho que todo cidadão, de algum modo, se posiciona politicamente mesmo que ache que é apolítico, mas isso já é uma posição política também. É importante as pessoas se manifestarem a partir de um conhecimento crítico da sociedade, das desigualdades, das possibilidades que a sociedade tem que ser mais justa. Ser politizado no Brasil, um país tão complexo, é muito importante para todo mundo, de todas as profissões, não apenas para os artistas. 

6. Esse ano, o Instituto Cultural Casa do Béradêro, um projeto social fundado por você, na sua terra natal, na Paraíba, completa 22 anos. Como surgiu a ideia de abrir esse espaço? 
O Instituto Cultural Casa do Béradêro nasceu como projeto “Gente que canta” e depois virou “Gente que encanta” através da minha primeira professora de música, uma freira, uma religiosa que se chama irmã Iracy, franciscana lá na cidade de Catolé do Rocha (PB). Observando o trabalho que ela já desenvolvia ali, com cerca de vinte e poucas crianças, com poucos recursos, eu me aproximei dela e propus ampliarmos, legalizarmos, criarmos uma pessoa jurídica, remunerar, trazer mais professores e assim nasceu o Instituto Cultural Casa do Béradêro. 

7. Recentemente você veio a Belém na turnê com o Geraldo Azevedo. Qual a sua relação com a cidade? 
Eu tenho uma relação de muita amizade com Belém; antes eu era amigo, basicamente, de Nilson Chaves. Mas logo depois da primeira vez que fui, ainda nos anos noventa, me tornei amigo de Pinduca e mais recentemente tenho vários amigos na área artística, como Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro, com quem inclusive lancei um single faz pouco tempo, Aíla. Então, a minha relação com a cidade é de amizade; sou amigo de Kaká Carvalho, de Dira Paes, gente da área das artes cênicas, que admiro bastante. Eu gosto muito, toco mais em Belém do que em João Pessoa. Adoro. 

8. Qual a sua expectativa de voltar a Belém para um evento como a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes? O que o público pode esperar desse show? 
Estou muito feliz de voltar a Belém com a minha banda completa com o show “Vestido de Amor” já transformado. Acabou se tornando um show de toda carreira, com ênfase na pegada do "Vestido de Amor", mas depois da época junina, nós fomos mesclando o repertório. Então, tem coisas da minha carreira inteira. E também cito artistas que reverencio: canto canções de Alceu Valença, Zé Ramalho, Sá e Guarabyra, toco uma música instrumental que tive o prazer de apresentar recentemente com a Brasil Sinfônica, aqui em São Paulo. É um show bem amplo, alegre, bem completo para quem estiver chegando, conhecer o artista Chico César, e pra quem já conhece, celebrar essa relação que já vem de tanto tempo.

Texto: Juliana Amaral

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